sábado, 27 de março de 2010

Por que "Profissão: Poeta"?


Você, alguma vez na vida, ouviu falar de uma Escola Técnica Para Poetas ou de um curso universitário como Engenharia de Versos? Acho que só em sonho, né. Pois bem. Mas que os tais existem, existem, e cá estou eu para prová-lo. Bom, prová-lo não. Como poetas não se formam, nascem prontos, devo dizer que não nasci poeta mas me descobri como tal. E ser poeta não é só escrever poemas, é mais que isto. Ser poeta é ter uma visão diferente das coisas, é ter a atitude de parar para ver. Ficar admirando uma folha caindo da árvore, uma formiga trabalhando, uma garota de jeans, uma palavra, uma idéia, um sonho, uma sombra, nada e tudo. Ser poeta é andar sozinho e observar de fora, mas é também seguir a turba e tirar as impressões. E, convenhamos, isto não chega a ser uma profissão. Mas trabalhar com palavras, sim, lidar com os sentidos do leitor na busca do sentido no poema. Escrever, reescrever, cortar, compor, alinhavar - isto é um trabalho como outro qualquer, que exige parte intelectual e manual também. Todavia, este é um reconhecimento que não recai sobre todos os poetas. Devo repetir aqui aquela velha máxima de que poesia não dá dinheiro, de que ninguém vive de poesia? Na verdade, ninguém vive sem poesia, isto sim. Ninguém vive sem o sonho, sem o descanso da realidade, e isto é a poesia que proporciona, esteja ela em livro, filme, música, teatro, no amor ou em outro meio. Portanto a poesia é necessária, além de ser um direito do ser humano. Então sonhemos com o dia em que possamos responder à pergunta "Qual a sua profissão?", envoltos num sorriso de vitória, uma direta e simples resposta : "Poeta".

Esboço de um poema no celular

No meio de um ponto de vista.
No meio de umas pernas femininas roliças.
No meio de uma entrevista.
No meio de uma pista.
No meio de uma conquista.
No meio de uma lista.

Diego Domingos, poeta de sacanagem e amante por profissão