quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Metalugar

Mario Quintana que dizia: “Não ponhas data nos seus poemas. Eles são de qualquer tempo”.

onde eu ponho um ponto não ponho uma vírgula;
onde eu exclamo não interrogo!?
onde eu fico de través não atravesso –
onde eu pontuo não finalizo.
onde eu falho não sinalizo.
onde eu tropeço ponho vírgulas,
onde eu hesito, também,
mas quando tenho êxito, não.
quando eu vejo já está escrito,
já estou pronto.
quando eu falho eu risco.
só ponho imaginação e publico.
se demoro eu viro a página.
eu viro livro, inanimado.
se sobrevenho eu sublinho.
se cito Dante, se cito Castro Alves.
se escrevo eu assino.
se mato eu escondo, mas se vivo
a moita se mexe, se move, vira sarça e arde.
se palavras postas uma após outras são assim.
se abro um (parêntese é porque pensei em outra coisa).
se fecho é porque esqueci.
se escrevo números é porque são sempre sete, doze, três.
se chego a chamar de versos o que são feridas.
a superfície onde escrevo não é maleável.
o terreno é de pedras – duro, sobrevivo.
não há poesia neste canto.
existo, logo penso acabar.
onde penso acabar.
onde colocar um ponto.
o mais ou uma cruz:
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Diego Domingos, 1º de dezembro de 2010