terça-feira, 22 de março de 2011

Ontem e hoje, sempre

Foto: Iramaya Rocha (Internet)
Eu acho que a gente tem que tentar melhorar não o mundo, tem que melhorar o homem. Antunes Filho

Não era minha primeira intenção fazer deste espaço que ocupo uma trincheira. Mas após debruçar-me sobre os jornais da cidade e do mundo, após ouvir as rádios e a tevê, os edis e o rumor das ruas - todos eles num ajuntamento em torno da violência, das mazelas sociais e problemas estruturais do país - decidi, até em solidariedade a você que me lê, tratar de temas mais amenos aqui. Não que o problema não seja nosso, meu e seu, cidadãos de bem, mas eu só o que faria seria chateá-lo pela repetição. Aqui mesmo na Internet pessoas mais gabaritadas apontam mais causas dos problemas e outras possíveis soluções.
Eu o que quero é contar-te da alegria dos passarinhos da minha rua depois do fim da grande seca do começo do ano, de como eles, no dia da primeira chuva, deixaram de voar para andar no asfalto molhado aos pulinhos, abrindo as asas e bicando a enxurrada. E indagar-te se já não teve a sensação de estar perdendo alguma coisa ou alguém, para sempre, e nada que você faça poderá mudar isso. Perdendo lembranças que guardou por muito tempo, como um tesouro, e que deixou pra trás entre uma mudança e outra. Perdendo a capacidade de conservar uma amizade; de, despertando um amor, conseguir alimentá-lo; de ser natural com as pessoas. Acho que você e eu sabemos do que estou falando. Estamos perdendo nossa alma para as relações comerciais, vendendo-a junto com as nossas águas e as nossas árvores, vendendo nossa dignidade e nosso futuro, nossa capacidade de amar e ser amado. Deixando de pensar no todo excluímo-nos também e perecemos como moscas. Pronto. Acabei chateando-te e a mim também.

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