quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Moita das Lamentações


Se eu soubesse me lamentar me lamentaria de não ter começado a escrever aquele poema inspirado no amor de Riobaldo e Diadorim no meu já sabido precário celular cujo já salvou algumas boas idéias mas de que me lembro só das perdas. O que eu poderia fazer? voltar ao papel-e-caneta? sair do local da inspiração e sentar à frente do computador como agora? Só me lamentar? Pensar que algum deus o ouviu? Que algum anjo lia sobre os meus ombros? É uma perda. Irrecuperável. Não saberei jamais se estaria bom ou não. Escreverei outras peças, não tão boas, melhores ou piores - apenas diferentes daquela perdida. Se usei ali as palavras coche e cale - que importa agora? Quem sabe se não foi o próprio diabo quem mo tomou das mãos? No entanto, teria amado este poema - um minuto que fosse, uma década, por breves cem anos. Não posso tentar reescrevê-lo. Sairia outro. Não consigo relembrá-lo todo. Só queria ouvi-lo em sonhos, uma única vez novamente. Mas por que foi que eu o escrevi? E como fui perdê-lo?

Diego Domingos